BH tem atos a favor e contra a volta às aulas presenciais neste domingo





Enquanto protesto na Praça da Liberdade pedia o retorno das atividades presenciais, sindicatos se posicionavam contra a medida em carreata
Por BRUNO MATEUS

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Protestos contra e a favor da reabertura das escolas em BH

Foto: Montagem sobre fotos de Ramon Bitencourt

Assunto recorrente nos debates da sociedade e na pauta da Prefeitura de Belo Horizonte e também do governo do Estado, a volta às aulas presenciais na capital e em Minas Gerais, ainda sem previsão, mobilizou dois grupos com reivindicações opostas na manhã deste domingo (20) em BH. Na Praça da Liberdade, região Centro-Sul, cerca de 50 pessoas se reuniram para pedir o retorno imediato das aulas em uma manifestação realizada pelo movimento "Pais Pela Educação BH", que se declara apartidário e foi criado há uma semana nas redes sociais.


Os participantes seguravam cartazes com frases como "Volta às aulas já", "SOS Escola" e "188 dias sem educação". A gerente comercial Sheila Freire é uma das organizadoras do protesto. Mãe de uma garota de 6 anos, ela diz que o grupo defende a volta facultativa às aulas presenciais tanto nas escolas particulares quantona rede pública. Segundo Sheila, os órgãos públicos têm o dever de providenciar toda a estrutura para que isso aconteça.

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"Queremos demonstrar às autoridades e à sociedade que, apesar de existirem muitos pais que não se sentem seguros em retornar agora para as escolas, existem inúmeras famílias e professores que querem, podem e precisam voltar o quanto antes com toda a segurança dos protocolos", afirma Sheila.

Ao fim do ato, com as pessoas reunidas em torno de uma grande bandeira do Brasil, boa parte delas sem máscaras, houve a execução do Hino Nacional e a oração do "Pai Nosso".

Presente na manifestação e apoiador do grupo "Pais Pela Educação", o deputado estadual Bartô (Novo) conta que entrou com um requerimento na Assembleia Legislativa de Minas Gerais para que uma audiência pública coloque o debate na pauta dos parlamentares com a sociedade. "É importante levar essa discussão para a esfera política. Defendo a volta às aulas, a volta de tudo. Estou aqui em apoio às reivindicações do grupo", afirma o parlamentar.
SINDICATOS TAMBÉM SE POSICIONAM

O assunto da volta às aulas divide opiniões. Também neste domingo (20), uma carreata percorreu as ruas de BH. Organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Instituições Federais de Ensino (Sindifes), pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede) e pela CSP Conlutas – Central Sindical e Popular, a manifestação teve início na Praça da Estação, na região central, e percorreu o trajeto da Avenida do Contorno.

"O objetivo é mostrar para a cidade que existe um movimento que apoia a paralisação das aulas presenciais nesse momento. A volta às aulas é um risco muito grande para as crianças e para os trabalhadores. A parte pedagógica a gente recupera, mas a vida dessas pessoas não podem ser colocadas em perigo", afirma Daniel Wardil, diretor do Sind-Rede.

Faixas com os dizeres "Reabrir as escolas é arriscar a vida de trabalhadores, crianças e famílias" cobriam alguns automóveis.

Segundo ele, há uma pressão das empresas particulares de educação para que o retorno das aulas, mas reforça que, para além de lucros, "o mais importante agora é garantir a saúde das crianças e dos trabalhadores".
PARA INFECTOLOGISTA, VOLTA ÀS AULAS AINDA NÃO É PRUDENTE

O infectologista Unaí Tupinambás, um dos membros do Comitê de Enfrentamento à Pandemia de Covid-19 em BH, pondera que o debate em torno da importância da educação é importante e deixaria o educador e filósofo Paulo Freire (1921-1997), que faria 99 anos neste sábado (19), "muito feliz". No entanto, Tupinambás entende que o retorno às aulas presenciais depende de alguns fatores. "Para a volta com segurança, temos que ter um controle da pandemia, e em BH isso ainda não aconteceu", avalia.

Tupinambás diz que, atualmente, BH registra uma média de 150 casos por 100 mil habitantes por semana. Para se chegar a um nível seguro e controlado, esse número deveria ser em torno de 5 a 10 casos por 100 mil habitantes por semana.

Além disso, o infectologista ressalta que as escolas deverão passar por uma requalificação para atender crianças e profissionais, como a colocação de locais de higienização e adotar medidas para garantir o distanciamento social.

Epidemia controlada, população engajada e espaços requalificados: só assim, destaca Unaí Tupinambás, será possível implementar a volta às aulas presenciais em BH. "O mais interessante é que somos a solução dos problemas. Se cada um fizer a sua parte, lavar as mãos, usar máscaras, cumprir o isolamento social, enfim, seguir as normas sanitárias, isso será possível com a epidemia controlada. Todo mundo quer voltar (às aulas presenciais), acho importante principalmente na rede pública, mas não podemos forçar, pode ser um tiro no pé", conclui o infectologista.
REABERTURA DAS ESCOLAS CONTINUA SEM PREVISÃO

Suspensas desde 18 de março em função da pandemia do novo coronavírus, as aulas presenciais em BH e no Estado continuam sem previsão de retorno, apesar de já ter sido divulgado, na última quinta-feira (17), um documento com os protocolos de funcionamento das escolas.

Máscaras, revezamento e distância: veja o protocolo para a volta às aulas em MG

A Secretaria Municipal de Educação, por meio de nota, informou que "as escolas fazem parte de um grupo de atividades que atualmente se encontra em fase de estudos para reabertura, conforme documento que consta no portal".

Também em nota, o governo do Estado afirmou que está avaliando os meios mais seguros para a retomada das atividades presenciais nas instituições de acordo com critérios técnicos e científicos: "A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais está elaborando as orientações e as estratégias para o retorno da rede pública estadual, a partir de amplas discussões e estudos realizados, em conjunto com a Secretaria de Estado de Saúde (SES). Reiteramos que as demandas da área da educação são avaliadas criteriosamente e as aulas serão retomadas no momento mais seguro para alunos e profissionais envolvidos".

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